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23 de julho de 2018

Destaque/ Minha mente

Presença

Cresci meio só…
Minha mãe precisava trabalhar, meu pai não foi o apoio que ela “precisava”para ser mãe, de uma forma mais presente…ela tinha que ser bem mais que isso, tinha que estar fora quase o tempo todo, para garantir o sustento financeiro. Ela nunca podia estar comigo, o que nos deixava bem chateadas, sentíamos falta uma da outra . Eu a via, em média, uma vez por mês.

Era interior do nordeste, início dos anos 90, as domésticas/secretárias do lar(não sei como vc se refere), dormiam na casa dos patrões, viviam para eles, cuidavam dos filhos deles e não dos seus próprios filhos. Minha mãe só voltava em casa uma vez por mês, para me visitar, dar dinheiro pra minha avó ou minha tia cuidarem de mim.
Mas, em tudo Deus me guardou(sempre)! Minha avó materna, minhas tias cuidaram muito bem de mim, me deram o mesmo amor que deram aos seus próprios filhos(meus primos, minhas mais próximas referências de irmandade), tive eles pra brincar numa parte da infância, pois sou filha única. Depois, quando fiquei maiorzinha, a partir de uns 8 anos, já ficava só em casa enquanto minha mãe trabalhava, comecei a me virar sozinha.

Cresci bem, aprendi a me cuidar só, andar só, cuidar da casa e dos meus objetos pessoais. Talvez você também se identifique, não sou a única filha de mãe solteira, de baixa renda, não é mesmo?
Pois muito bem, passei pela infância, venci a adolescência(vencemos, todos nós, né?! aaff)…

Agora sou mãe! . Minha alegria mais pura tem 8 anos; no momento em que ela nasceu, tive uma certeza: quem vai cuidar dela sou eu! quem vai dar banho, comida, brincar e tudo mais, sou eu! Ela não vai crescer sem que eu esteja por perto.
E o pai dela foi um super apoio nisso, fez e faz tudo para eu ser mãe da Bella, e que não falte nada pra ela, para a casa. Ele que se angustiou quando o dinheiro faltou, quando os negócios não iam bem, quando precisava comprar fraldas e talvez não tivesse um centavo na conta bancária; ele deu um jeito, se virou em mil e nunca sentimos falta do essencial.

E não foi sempre fácil pra mim também! Sou uma mulher, além de mãe da Bella, tenho sonhos, objetivos profissionais. Cresci me virando sozinha, comecei a trabalhar ainda menor de idade, para custear eu mesma minhas despesas e consumos…como poderei, agora, tranquilamente, deixar meu marido cuidar de tudo pra mim? É complicado!
Eu poderia me reinventar profissionalmente, para cuidar diretamente da minha filha e ganhar dinheiro de alguma forma…sim, eu poderia! mas, não sabia ainda como fazer isso, aos 24 anos não pensava como hoje, não tinha as mesmas idéias.
E aí, muitas vezes pirei, fiquei estressada, me senti um lixo de mulher, de mãe(pois o fato de eu não ser uma profissional bem sucedida, fazer meu  próprio dinheiro, afetava o fato de eu querer ser mãe por completo). Não amadureci cedo, não me conhecia bem.

E ano a ano, fomos nos ajustando, eu e Bella. Tenho milhares de arrependimentos, desde o modo como falei com minha pequena em algumas situações, as vezes sendo muito grosseira, ou quando mimei e protegi demais, de quando não soube compreende-la(em outro post a gente fala mais sobre os sentimentos e atitudes de uma criança)…enfim, errei muito. Mas, nunca me arrependi de ser “mãe em período integral”.

Até trabalhei alguns meses na empresa do meu marido, deixava minha filha na creche. Não aguentei muito tempo longe dela o dia todo; então saí da empresa do meu marido, comecei a vender cosméticos em meio período, assim ela só brincava durante a tarde no tal maternal. Conseguia assim tomar café da manhã com ela, leva-la para brincar no jardim, fazer o almoço pra ela, arruma-la para a escolinha…isso já tinha muito valor para nós duas. Assim, enquanto ela ficava nesse maternal, no período vespertino, eu “vendia uns batons”, pra não me sentir tão inútil, tão contra a cultura atual(toda mãe deixa seu filho na creche, ou com uma babá e vai trabalhar, não é?!) é o certo, o normal.

Hoje penso que não, não é o normal, não para mim. Hoje sei que em países “muito bem desenvolvidos”, com um governo que pensa no futuro de suas crianças, a licença parental(não é só a mãe, tá?! o pai também pode cuidar de seu bebe…por isso não se chama licença maternidade)dura 18 meses! Em países como o Canadá, o normal, a cultura, é você ver o pai e a mãe, parar sim a vida corporativa para cuidar do bebe; e o “bolsa família”é para todas as crianças(não apenas para quem tem baixa renda, como aqui no Brasil)toda criança recebe ajuda de custo de governo, como forma de incentivo ao cuidado parental. Aqui soa errado, diz-se que quem está cuidando do bebe não faz nada, está atoa. O legal é terceirizar o cuidado do próprio filho e ir cuidar dos interesses de outra pessoa, de outra família, de uma corporação.  Para mim, isso era um preço alto demais pela minha vida profissional, não estava disposta a pagar.

Claro que meu pensamento não precisa ser regra, nenhuma verdade é absoluta, não é mesmo? tem mães que vão preferir sair de casa todos os dias, deixar o filho aos cuidados de alguém, e tudo bem, se for assim que você escolher viver, se for necessário e até mesmo se você não tiver opção. Só não quero que faças isso porque é como a sociedade diz que devemos fazer, a cultura é essa. Caso você, como eu, pense que teus olhos devem estar sobre teu filho, que ele deve comer a comida que você acha boa pra ele(e não a comida que a creche disse ser boa), que ele sinta você perto, cuidando , protegendo, aprendendo de ti(porque criança aprende vendo, observando as pessoas a volta dela) e não da tia da creche, ou da tua babá, tudo bem, está tudo bem também.

Ser mãe é um trabalho, desgasta muito, te consome muito, e faz sim toda diferença na vida. Sei que não é valorizado pela sociedade, talvez por não gerar renda, mas, gera frutos maravilhosos na vida dos seus filhos, no seu lar…Não é fácil também, já citei aí acima alguns dilemas que podem ocorrer com qualquer mulher.  E também imagino que não seja fácil para alguma mulheres deixarem seus filhos porque precisam trabalhar. Super entendo. O importante é ser feliz, façam a melhor escolha possível para sua família.

Não precisamos de mais creches, sr. governo, ao meu ver. Precisamos de apoio a educação parental, aconchego e presença dos pais. Adultos seguros, amados e amáveis são feitos na primeira infância. Só gostaria de saber tudo que sei e vi hoje, há 8 anos, ter tido coragem para ser quem eu queria ser, para ir contra a cultura do meu país se preciso, para ser quem acredito que devo ser. Seja assim você, não aceite o que o “sistema” diz a respeito do que deve ou não fazer. Siga seu coração, se reinvente, seja você a mudança que acredita. Agora, cabe a mim me reinventar, fazer dinheiro pra viver(nada é de graça, né?!) e ser mãe, todo dia, em período integral, enquanto a Bella precisar.

Vou deixar aqui um vídeo que fala um pouquinho sobre essa decisão de viver para a “maternidade em período integral”:

Se você já é mãe, me conta aqui um pouco da sua escolha, como você se sente com esse assunto…cada uma tem uma forma de pensar e viver, e respeito muito isso…

Beijos

Renata Lima.

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